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Crítica
de Trailers

A
Festa nunca termina (24 hour party people), Michael Winterbottom,
EUA, 2002, Trailer
Em uma tentativa de superar o número de exibições
do trailer de Cecil Bem Demente, os distribuidores do Rio de Janeiro estão
apostando suas fichas nesse reclame. Em cada sessão de qualquer
filme levemente desvinculado do cinemão deve haver uma chance de
90% de assistir a peça. E é uma ótima propaganda
negativa, pois é impossível não ficar entediado com
a pretensão de Michael Winterbottom e a histeria visual dos créditos.
Pelo menos a música é boa, mas não tinha como não
ser.
Matrix: Reloaded (Matrix:
Reloaded), Andy Wachowski e Larry Wachowski, EUA, 2003, Trailer
O trailer final do segundo episódio de Matrix chega apoiado em
uma estratégia de marketing intimidadora, transmitido digitalmente
com hora marcada para canais ufh e alardeado aos 4 ventos como um acontecimento
importantíssimo. Muito barulho por quase nada? O que se vê
é um trailer bem mais frio que o teaser anterior e sem a metade
de seu impacto. A provavel reunião de todas as cenas que usam o
efeito bullet time e as cameras lentas tecnicamente perfeitas que se tornaram
a marca estilística do primeiro longa (e perigam virar cacoete),
criam uma monotonia absoluta. Ah, um carro voando? Legal. Troca de tiros
em plena queda livre? Hm. Um milhão de agentes Smiths? Zzzzz...
(Tiago Teixeira)
Johnny English (Johnny
English), de Peter Howitt, Inglaterra, 2003.
Rowan Atkinson é o tipo do ator cômico fadado a interpretar
o mesmo personagem pelo resto da vida (pra quem não lembra, trata-se
do Mr. Bean). É como se toda vez que ele aparece num filme a sacada
fosse "e se o Mr. Bean..." Neste caso, ele é um agente
secreto. Desnecessário lembrar quantas vezes já se brincou
disso, sendo a última delas com o gigante Leslie Nielsen (também
sempre no mesmo papel), em Duro de Espiar. A julgar pelo trailer,
difícil crer que Mr. Bean segure mais que duas ou três boas
piadas, ou piadas inesperadas (o tipo de humor de Nielsen era tão
fora de controle que sempre tudo podia acontecer).(Eduardo
Valente)
Como Perder um Homem em 10 Dias (How to Lose a Guy in
10 Days), de Donald Petrie, EUA, 2003
Petrie é o famoso "director for hire", por detrás
de comédias "médias" como Dois Velhos Rabugentos,
Meu Marciano Favorito e Miss Simpatia. Não deixa
de ser um nome surpreendente para o que parece ser uma comédia
"hip", jovem. Claro que sabemos desde o início o final,
senão não seria uma comédia romântica, mas
cabe ver como se ligas as duas pontas, e julgando pelo trailer, esse aqui
até pode ter alguma graça. Será?(Eduardo
Valente)
Encontro de Amor, Maid in Manhattan, EUA, 2003, Wayne
Wang
Temos que apreciar sempre os trailers onde conseguimos ver exatamente
que filme será este, do primeiro ao último fotograma. São
os famosos "trailers que economizam R$14". Quem não concorda
que após ver este trailer é esperar para algum dia o filme
nos embarcar num delicioso soninho em viagem de ônibus, avião
ou na Sessão da Tarde? Só mesmo um fã muito incondicional
de Jennifer Lopez... o que até é compreensível, pelos
mesmos motivos que o menino que faz o filho dela cita na piada final (e
única boa) do trailer.(Eduardo
Valente)
Império (Empire) de Franc Reyes, EUA, 2002
Um trailer enigmático: consegue vender a história como uma
interessante "versão americana" de O Invasor,
misturando luta de classes e criminalidade, com um visual arrojado na
foto/câmera. Difícil saber se isso se sustenta como filme
de longa metragem, mas certamente surpreende e faz querer sair de casa
e pagar para ver.(Eduardo
Valente)
Carandiru, de Hector Babenco (Brasil, 2003)
Estamos falando aqui do trailer mais novo, não o teaser que rodava
os cinemas desde a Mostra de SP. O início do trailer parece extremamente
didático e travado, o que não deixa de assustar um pouco.
Mas, vai ganhando ritmo, e cria o enigma que parece ser o principal sobre
o filme: afinal, será que o público dos megaplex quer ir
ao cinema ver um filme sobre o massacre do Carandiru? Cidade
de Deus, não custa lembrar, tinha sua linguagem "jovem"
e seus personagens carismáticos a seu favor. Será que Carandiru
mostrará que o Brasil quer mesmo ver sua realidade na tela, ou
que CDD foi um caso de embalagem certa para o material correto?(Eduardo
Valente)
O Novato, (The Recruit, Roger Donaldsonde , EUA, 2003), Trailer
Realmente competente, esse daqui me deu vontade de ver o filme mesmo deixando
claro que o Al Pacino está interpretando Al Pacino e que ele tem
pelo menos uma cena na qual grita a plenos pulmões (provável
imposição contatual desde o último poderoso chefão).
Além disso também nos é revelado o aparente grande
segredo da trama, e a “pista” ainda é reforçada
algumas vezes pra deixar claro que ninguém deixou escapar a informação
privilegiada. Segue o formato clássico, mas até da uma relaxada
sutil no clichê da aceleração do trailer nos últimos
segundos. (Tiago Teixeira)
A Máfia Volta ao Divã (Analyze That, de Harold
Ramis, EUA, 2002), Trailer
Você já ouviu todas as piadas antes, e nem precisa ter visto
o primeiro filme da série. O fato é que o trailer deixa
antever um Robert DeNiro no automático, e um Billy Cristal especialmente
sem graça. Mas, sabe o pior? Dá para rir. Pelo menos do
trailer. Quem sabe Ramis não operou milagres com as mesmas velhas
piadas? Não seria a primeira vez...(Eduardo
Valente)
Simone (Simone, de Andrew Niccol, EUA, 2002), Trailer
Três maus sinais: primeiro que este trailer apareceu pela primeira
vez há uns 6 meses nos cinemas, e o filme acabou adiado e adiado
e adiado. Segundo, que só pelos três minutos do trailer o
espectador sabe tudo o que acontece no filme. Terceiro, e principal: se
em três minutos o filme já consegue ser chato, que dirá
em sua duração total. Da famosa família dos trailers
"espanta-platéia", apresenta Al Pacino de volta à
atuação depois de interpretar a si mesmo como dois personagens
com problemas para dormir em Insônia e O Articulador. (Eduardo
Valente)
O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher, de Lawrence Kasdan,
EUA, 2003), Trailer
Kasdan reaparece após longo e tenebroso inverno. E, pelo trailer,
pode-se até esperar um bom filme de terror. Ou não. Explica-se:
Hollywood parece ter dominado com tal maestria a arte dos trailers de
filmes sobrenaturais, que todos parecem assustadores, mesmo os que não
são. Difícil saber, mas pelo menos a peça cumpre
o papel de venda e interesse do filme.(Eduardo
Valente)
Desmundo (de Alain Fresnot, Brasil, 2002)
Os bons trailers nacionais são contados nos dedos, e o do novo
filme de Fresnot não será um a ocupar as poucas vagas das
mãos. Trata-se de um filme em si peculiar, de venda complicada
(um filme brasileiro com legendas, porque falado em português arcaico),
uma mega-produção com ritmo de filme de arte. O trailer
não consegue fazer o milagre de tornar o material naquilo que ele
não é: produto de multiplex.(Eduardo
Valente)
X-men 2 (de Bryan Singer, EUA, 2003), Trailer
Mais um exemplo da azeitadíssima máquina das superproduções
Hollywoodianas, o trailer cumpre a função que se espera
dele: fazer com que os espectadores achem que não podem ficar sem
ver este filme de jeito nenhum. Mostra bom humor, clima, e, acima de tudo,
cativa e satisfaz o espectador ao mesmo tempo, mostrando alguns dos novos
heróis e vilões sem contudo exagerar nas revelações.
Fica um mistério e água na boca. Eles sabem o que fazem.(Eduardo
Valente)
Recém-Casados (Just Married, de Shawn Levy, EUA,
2003), Trailer
O que dizer de uma comédia cujas piadas não funcionam nem
no trailer (onde costuma-se fazer um pot-pourri com os melhores momentos
do filme)? Simples, que não há muito porque vê-la.
Quer dizer, há sim: a primeira aparição de Brittany
Murphy nas telas depois de passar a língua na mão no filme
de Eminem. Já é alguma coisa, mas difícil será
ficar acordado... (Eduardo Valente)
Durval
Discos (de Anna Muylaert, Brasil, 2002), Trailer
O Alta Fidelidade genérico ganhou um anúncio que estruturalmente
é um trailer americano contemporâneo médio, só
que com uma edição péssima e enfadonha somente superada
pela utilização da trilha sonora. Já que o Durval
tem um apelo musical tão forte o mínimo que se podia esperar
era uma utilização melhor da música na peça,
e não que ela se limitasse a aparecer timidamente nos segundos
finais, como é o caso, de maneira a simplesmente justificar o título.
(Tiago Teixeira) |
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