En la Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerin

Contracampo faz a cobertura diária da XXIII edição do Festival Internacional de Cine de Guadalajara, no México.

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Contracampo faz a cobertura diária da 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes

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Paranoid Park (foto), de Gus Van Sant, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu A Espiã, de Paul Verhoeven, e Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, entre as críticas.

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One Plus One/Sympathy For The Devil, de Jean-Luc Godard (foto), Coleção Herbert Richers (II), Caminho Sem Volta, de James Gray, além de Kiyoshi Kurosawa, Sidney Lumet e Antonio Banderas.

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Não há como não iniciar este editorial sem pedir desculpas ao leitor assíduo – assim como àquele nem tão assíduo assim – pelo longo tempo em que esta página de abertura da revista permaneceu com o mesmo rosto. Passado o nosso grande mergulho anual em cinema que marca o período dos festivais, vimos nosso ritmo desacelerar de forma um pouco mais acentuada que nos anos anteriores. O fim do ano chegou rápido e, com ele, questionamentos importantes sobre nossa prática crítica, alguns derivados dos encontros cinematográficos que tivemos durante a Mostra de São Paulo, outros de choques estéticos no circuito recente, outros ainda, da própria formatação corrente de nossas respostas ao cinema.

E o aglomerado que compõe a seção de artigos desta edição reflete em parte este processo. Em nosso tradicional “o que restou dos festivais”, temos duas entrevistas reveladoras com cineastas vitais do cinema contemporâneo que seguem fazendo seu trabalho razoavelmente distantes dos holofotes dos grandes festivais internacionais. Nicolas Klotz, já conhecido e entrevistado nosso desde A Ferida (2004), e José Luis Guerin, agradável descoberta de todos nós – fruto da indicação certeira dos nossos Filipe Furtado e Rodrigo de Oliveira, é preciso dizer. Para complementar, dois artigos que testemunham a “novidade” que Guerin nos apresenta. Seguindo na onda dos choques, trazemos dois artigos sobre o festejado, difamado, defendido, combatido filme de José Padilha. Esta resposta um pouco tardia ao fenômeno que se tornou Tropa de Elite busca ir um pouco além em alguns pontos que o Ruy já havia tocado em sua crítica do filme à época do lançamento. Tomada alguma distância do calor de sua recepção, podemos dizer sem medo que é o filme-acontecimento de 2007 e o filme de que o cinema brasileiro precisava.

A reflexão sobre grandes lançamentos em circuito não pára por aí: temos também dois textos que buscam paralelos entre filmes aparentemente tão diferentes quanto 300 e Em Busca da Vida e Jogo de Cena e Império dos Sonhos, para encontrar contundentes pensamentos sobre a relação entre cinema e mundo e entre cineasta e objeto. E, para fechar, uma resposta a um outro circuito: o das mostras em centros culturais. Ao final de 2007, foi a vez de Alejandro Jodorowsky, cineasta chileno hoje radicado na França, ganhar uma retrospectiva completa de sua obra, com direito a exposição de fotos e leitura de tarô. Contracampo não deixa o evento passar em branco e aproveita a ocasião para publicar um amplo dossiê de documentos que testemunham não apenas as controversas elaborações artísticas do cineasta, como as discrepantes recepções de seus filmes à época do lançamento original. Críticas brasileiras, latino-americanas, francesas, inglesas e americanas se somam para formar um painel nada unívoco – como são, aliás, as reações de nossa redação a esta obra.

E, para voltar a falar de paixões, a seção DVD/VHS está recheada delas: o último filme de Kiyoshi Kurosawa, lançado meio na surdina em terras brasileiras; One Plus One/Simpathy For The Devil, a elegia de Jean-Luc Godard aos Rolling Stones; Caminho Sem Volta, a incursão do grande James Gray anterior a Os Donos da Noite; e a segunda parte da cobertura da coleção Herbert Richers iniciada na edição 80, que contempla grandes filmes feitos por aqui no quadro da produtora e quase relegados ao esquecimento por sua suposta “irrelevância”.

O restante dos questionamentos apontados no início deste editorial não estão presentes em forma de textos, mas se anunciam como reestruturações para um futuro próximo, reestruturações sobre as quais começamos a trabalhar durante este longo período de estiagem pós-festivais. Em nossa próxima edição, os melhores do ano da revista e dos leitores, agora também com direito a dez votos. Portanto, não deixem de participar, seguindo o link logo acima. Boa leitura e divirtam-se!

 
     
  Luiz Carlos Oliveira Jr. e Tatiana Monassa