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A
edição de janeiro da revista Playboy francesa acaba
de chegar às bancas da França, trazendo na capa – e,
claro, nas fotos – a atriz Ludivine Sagnier. A edição,
que segundo a editoria da publicação “celebra a necessidade
da criação de um índice para o que acontecerá em
2008”, é a terceira do novo projeto editorial da
revista. Em novembro, ela causou enorme furor ao
trazer em sua capa ninguém menos do que Juliette
Binoche, musa de uma verdadeira atitude cinematográfica.
Em dezembro, foi a vez da supermodelo e agora também
atriz Julie Ordon. Agora, chega às lojas Ludivine.
Isso junta a Playboy francesa à... brasileira no
grupo das únicas Playboys nacionais no mundo a – diferentemente
também da matriz americana – publicarem fotos de
mulheres famosas fora do campo da beleza (modelos).
Mais que isso, são estrelas de cinema o que a Playboy
da França estampa em suas fotos de nus. E mais ainda,
todas registradas por grandes fotógrafos, todas registradas
em ensaios que dificilmente fugiriam a exposições
de arte contemporânea – corpos fora de foco, poses
improváveis, mais rostos do que sexos – e com entrevistas
consistentes de cada uma delas atravessando as páginas
de fotografias. As revistas, cujas capas aparecem
reproduzidas abaixo, abrem um novo horizonte para
o mercado desse tipo de publicação em seu país, claro. É uma
estratégia de marketing importante. Mas é também
uma ação simbólica curiosa, uma vez que recoloca – não
apenas na França, dada a repercussão do movimento,
que fez esgotar em seis dias a edição de Juliette
Binoche – o papel do estrelismo e do poder na construção
de uma noção de beleza. E de certa forma recoloca
algo além da retina no aparelho de avaliação. Deixa
de ser apenas uma noção plástica o definidor da beleza
a ser exibida, e passa a ser também uma coordenação
de fatores simbólicos, os papéis que a atriz vive,
sua presença no plano, sua beleza nos filmes, sua
atitude pública, sua posição no cinema.
Alexandre Werneck
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