|
Estava lendo a crítica
do site sobre o filme de Larry Clark e fiquei intrigado
com os aspectos levantados sobre o filme.
- Muito é dito sobre
cenas "desnecessárias". O que é exatamente
uma cena necessária? Por que, no cinema, as coisas
precisam ser necessárias para serem boas? Muitos
filmes bons, como Acossado, não tinham o minimamente
necessário.
- É dito que Larry Clark diz que "a juventude
está perdida" com esses filmes. Como exatamente?
Como uma cena de sexo pode dizer isso?
- É dito que Larry Clark culpa os pais pelo comportamento
dos filhos. Novamente, não entendi. Interpretei
como os pais sendo variados: há a família
boa (a da mãe que transa com o garoto) onde sua
perversão não altera o núcleo familiar,
há a família desequilibrada (a de Claude,
com o padrastro pedófilo), onde ainda se mostra
amor, por parte de todos os membros, principalmente
da mãe; há a família de Peaches,
onde a repressão também não vem
sem amor. Como seria a família ideal de se retratar?
OBS importante: Não
escrevo esse e-mail como afronta pessoal ao crítico
ou ao site. Escrevo com interesses pessoais (adorei
o filme e adoro os trabalhos de Larry Clark) e mesmo
com uma curiosidade sobre a recepção do
filme. Reconheço o trabalho da Contracampo e
o admiro, embora, como há de ser em uma discussão
sobre arte, discorde de muita coisa.
Bruno Carmelo
Bruno,
Em primeiro lugar, agradeço
a leitura em nome da revista. Esse diálogo com
quem nos lê é essencial, além de muito
gratificante.
Sobre meu texto sobre Ken Park, tenho a dizer que foi
feito na correria, nos dias finais de mostra (em 2002)
e tem, a meu ver, vários pontos falhos. O filme
dividiu a revista, muitos odiaram, muitos adoraram.
Eu claramente fiquei no primeiro time. Ao abordá-lo,
cometi certos equívocos, como o de mencionar
a gratuidade das cenas, a falta de necessidade dramática
de algumas seqüências. Claro, eu mesmo já
elogiei filmes com cenas gratuitas e desnecessárias
e acho que só isso não torna ruim filme
algum. A questão para mim era a maneira de Larry
Clark inserir essas cenas. Claro que isso é demasiado
subjetivo, e o ponto mais fraco do meu texto é
justamente esse: não expus muito bem onde essa
gratuidade é nociva no filme.
Existem outros pontos fracos, mas de forma geral acho
que você se apegou em um ponto discutível,
porque parte de uma visão pessoal (a minha),
mas que uma crítica opinativa (como é
o estilo da revista) deve enfrentar: interpretar a intençao
do diretor através do que se vê no filme.
Eu vi superioridade e sensacionalismo nas imagens, mas
muito não viram. Deveríamos ter colocado
o filme em questão, mas não fizemos. Tivemos
vários textos elogiosos ao cinema de Larry Clark
na seção de DVD/VHS, mas o filme Ken Park
não teve direito a um outro ponto de vista, a
não ser em um texto geral. De qualquer forma,
acho que ficou claro que a opinião era minha,
e não da revista.
Enfim, sinta-se à vontade para discordar sempre.
É sempre bom termos uma noção de
como nossos textos estão sendo recebidos.
Um abraço,
Sérgio
Alpendre
|