CARTAS
Sobre o teor das críticas

Olá.

Sou leitor do contracampo já há algum tempo e sempre leio, principalmente as críticas dos filmes. Confiro também os artigos publicados, pois sempre têm algo interessante a mostrar ou comparar.
(...)
Aproveito para fazer uma crítica às críticas! Gosto do tom intelectual do site (no melhor significado da palavra!), mas muitas vezes acho que as críticas dos filmes são inseridas em textos elaboradíssimos, com discussões altamente filosóficas e profundas, o que torna o texto chato e cansativo. Às vezes nem chego até o fim. A de "Revelações", por exemplo, feita por Filipe Furtado, foi uma das melhores que li porque apresenta as características do filme, seus pontos fracos, suas qualidades, expõe a opinião, analisa, tudo isso feio de forma sucinta, direta, sem muita enrolação. Inteligente e fácil de ler. Assim deveriam ser todos os textos (claro, dadas as diferenças de cada escritor...).
No mais, é isso. Parabéns a todos por manterem um site tão inteligente.

Teo Pasquini
teo@ubbi.com.br


Teo,
obrigado pelas palavras gentis.
Achamos muito interessante a sua carta, porque é um tema que ouvimos não poucas vezes de algumas pessoas, e mesmo quando paramos para ler, por exemplo, referências à revista em blogs e afins.
A fronteira entre seu elogio e sua crítica, porém, é muito tênue. Entre um "site tão inteligente" ou "intelectual no melhor significado"; e "texto chato e cansativo" não há demarcação clara - e sim leituras diferentes não só de cada redator, como de cada leitor. O que você achou ótimo, um outro pode achar superficial; o que você achou chato, um outro pode achar ótimo. É difícil para que consigamos "apriorizar" estas leituras. O que podemos te garantir é que não é algo que esteja fora de nossas preocupações: revisamos e discutimos os textos antes de irem ao ar, muitas vezes por acharmos (internamente, na própria redação) que alguns estão com pouca profundidade ainda, enquanto outros complicaram demais o que queriam expressar.
Agora, é garantido que nem sempre o que nós consideramos a melhor medida será lido assim por vocês. Mas, nesse sentido, nos permitimos, mais do que o direito, a obrigação de errar sempre "para mais", por assim dizer. Porque, afinal, o "menos" (os argumentos simplistas, as análises superficiais, os olhares inconclusos) já está em abundância na maioria dos lugares onde a crítica de cinema se encontra presente, hoje em dia - tanto assim que interpretamos seus elogios (e os outros que recebemos) sempre nesse sentido.
Mas, em resumo, na impossibilidade de termos o "intelectualômetro" para medir a exatidão do limite entre o que torne o site original na sua dedicação ao assunto ou chato na sua leitura, só podemos contar com uma medida: publicar aquilo que nós gostamos de ler (porque somos todos leitores e fãs também, uns dos outros). Se nem sempre bate com a sua medida, pedimos desculpas, mas mais do que isso não temos condições de fazer. Mas, é muito bom termos essa chance de explicar que não estamos despreocupados com o assunto.

um abraço
Eduardo Valente
editor