Votação
Contracampo e leitores escolhem seus preferidos de 2003




Votação dos leitores
1. Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood
2. O Homem Que Copiava, de Jorge Furtado
3. Tiros em Columbine, de Michael Moore
4. Gangues de Nova York, de Martin Scorsese
5. Adeus, Lenin!, de Wolfgang Becker
5. O Pianista, de Roman Polanski
5. A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki
8. Amarelo Manga, de Claudio Assis
8. As Horas, de Stephen Daldry
8. A Última Noite, de Spike Lee
(veja aqui a lista completa dos filmes votados pelos leitores)

Escolha da redação

1. Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood
2. Femme Fatale, de Brian De Palma
3. Longe do Paraíso, de Todd Haynes
4. Gangues de Nova York, de Martin Scorsese
4.
A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki
6. O Homem Sem Passado, de Aki Kaurismäki
6. A Inglesa e o Duque, de Éric Rohmer
6. A Última Noite, de Spike Lee
9.
O Exterminador do Futuro 3 – A Revolta das Máquinas, de Jonathan Mostow
10. Dolls, de Takeshi Kitano
10. Looney Tunes: De Volta à Ação, de Joe Dante
10. Spider – Desafie sua Mente, de David Cronenberg

(veja as listas de cada um dos redatores de Contracampo)

1. Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood
Como ser sutil falando das raízes e consequências da violência?
Sobre Meninos E Lobos
é uma crítica amarga ao uso da força. Nesse filme, violência só destrói, não purifica nada. Uma violência injustificada leva a outra que, por sua vez, também termina por ser errada. A violência do troco poderia organizar e eliminar desajustes ocasionais, mas termina por assumir socialmente a instituição do desequilíbrio em si injusto: manda quem for o mais forte.
Usando uma narrativa direta, nada sutil, Eastwood nos contou uma pequena fábula trágica sobre um círculo de violência que se constrói socialmente. Já sabemos muito bem como esta questão se tornou cotidiana para todos, sobretudo para os EUA (e para os países que eles invadem, certamente). A questão que resta também já é bem conhecida: como sair dessa ratoeira?
(Daniel Caetano)

leia aqui a crítica do filme

2. Femme Fatale, de Brian De Palma
Uma investigação sobre o poder da visão, e como ela pode ser corrompida por impressões ou predeterminações. A capacidade de mexer com um gênero aparentemente desgastado, tirando daí as mais ricas interpretações. O aspecto lúdico e onírico do cinema, por um diretor de inspiração incomum. Quebra-cabeça visual é pouco, além de chuva no molhado. O filme extrapola qualquer noção de verossimilhança, para desespero dos que se apegam a esta como se coubesse ao cinema responder sempre às expectativas daqueles que sempre desejam ver na tela algo palpável e facilmente decodificável como "possível" na vida real. Pode ser que existam filmes mais completos sobre as possibilidades do olhar, mas poucos são tão instigantes e com tanto potencial imagético quanto Femme Fatale. De Palma sabe, como poucos, manipular o espectador. E dá suas boas vindas a um século que se prenuncia como o da revolução da imagem, além de afastar as suspeitas ingênuas de que falta criatividade em seu cinema após Olhos de Serpente. (Sérgio Alpendre)

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3. Longe do Paraíso, de Todd Haynes
Ao alvorecer de uma nova era puritana (promovida por Bush e seus asseclas) Longe do Paraíso volta à matriz da representação da América conservadora, para sutilmente desmontá-la. Espaço idílico do ideal conservador - uma América branca, suburbana e bem-sucedida - os anos 50 deixam de ser o paraíso perdido ao revelarem a face oculta do preconceito e da violência. Não por acaso, os créditos de abertura surgem sobre uma tela, uma pintura: Todd Haynes quer ir além dessa superfície. No âmago deste filme, de um classicismo rigoroso, está a questao da imagem como instrumento ideológico e seu uso pela máquina holywoodiana. (Carim Azzedine)

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4. Gangues de Nova York, de Martin Scorsese
Gangues de Nova York é uma verdadeira aberração surgida no horizonte do cinema hollywoodiano: concebido em oposição direta, quase como uma resposta, às narrativas épicas de aventura que pululam na rabeira da série O Senhor dos Anéis, o filme de Martin Scorsese rejeita vigorosamente a construção de um universo utópico-místico e uma política do olhar calcada na contemplação e na fantasia. Gangues é antes de tudo o filme de um iconoclasta radical, mas também a tentativa sincera de erigir uma mitologia pessoal – aqui, a referência é menos a história obscura dos EUA do que um território mítico onde se cruzam as trajetórias de todas as personagens que povoaram o mundo de Scorsese. Gangues de Nova York é ainda um filme melancólico, na medida em que assume conscientemente discurso e forma fadados à obsolescência, carregando consigo o peso de ser, talvez, o último grande épico autoral do cinema americano. (Fernando Veríssimo)

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4. A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki
"O cinema substitui nosso olhar por um mundo que corresponde aos nossos desejos". A arte de Miyazaki, como as de Tim Burton e Jacques Tourneur, consiste em fazer esta afirmação tão mais verdadeira por revelar justamente o que ela tem de falso: seus mundos podem, num primeiro contato, não necessariamente corresponder "aos nossos desejos", e é possível ter a impressão de que o autor busca justamente um sentimento de estranheza, de frustração e de confronto com os possíveis anseios de seus espectadores. Mas quanto mais imersos nos sentimos nos seus universos, menos temos vontade de abandoná-los, e é deste embate com seus filmes que criamos nossos objetos de desejo. A Viagem de Chihiro compõe um momento de extrema beleza na obra deste realizador, e apenas uma palavra faz justiça a este que é o maior nome da animação mundial hoje: encantador. (Bruno Andrade)

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6. O Homem Sem Passado, de Aki Kaurismäki
O estado de amnésia pode ser sempre considerado uma metáfora um tanto óbvia sobre o estado de alienação: não ter o registro de experiências vividas é a aniquilação de uma identidade. Em O Homem sem Passado, Aki Kaurismaki amplia a questão. Primeiro se constata que, sem uma individualidade legitimada pelo Estado, o personagem não existe. No entanto, depois dessa conclusão mais ou menos previsível, Kaurismaki esboça outra: sem uma identidade mediada por um aparelho institucional e sem as lembranças de quem era antes da amnésia, o personagem central terá toda a liberdade para se reconstruir como bem entender e iniciar um processo de ressurreição de seu "eu". Kaurismaki aproveitará o processo de reinvenção de seu protagonista para abrir as janelas para uma sociedade finlandesa, distante do mundo ideal e organizado, ao qual redutoramente é associada. Vemos a ação de delinquentes neo-fascistas, a brutalidade das pequenas autoridades, a quase robotização de seres quase esvaziados - o que explica parcialmente a razão de interpretações mecânicas e a luz fria da maioria das sequências. (Cléber Eduardo)

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6. A Inglesa e o Duque, de Éric Rohmer
O olho veterano de Eric Rohmer parece amadoristicamente (no bom sentido) pego na encruzilhada entre dois tempos: filma o clássico com câmeras digitais e com um uso da tecnologia de uma inteligência que poucas vezes se viu igual. Seu efeito visual é, acima de tudo, conceitual. Seus personagens efetivamente passeiam por um mundo produzido, estético, estilizado, cuja normalidade está por um fio por conta de um grande fato histórico que se prepara para acontecer, mas cuja pompa se sustenta graças a códigos. Códigos da moral, códigos da tela. E esta é a grande chave para esta obra: como vários outros de Rohmer, é um filme sobre o cotidiano; mas, por acaso, sobre o cotidiano da Revolução Francesa, um evento para o qual, imagina-se, o último elemento a ser levado em conta é o dia-a-dia, o que simplesmente se mantém. O diretor inventa um mundo descontínuo, temporal e topograficamente, para exibir a continuidade do humano (que muda, como mudam a inglesa e o duque, mas permanecem, ainda assim os mesmos). O mundo que se transforma em outro é formado por personagens e eles sim são o mundo. Filme de época, a reconstitui pelo humano, não pelo figurino ou pelo cenário (no fundo, as ruas na forma de pinturas são, ao mesmo tempo, uma grande ironia e um grande recurso cinematográfico). Ao falar do passado, fala do contemporâneo, e da urgência de construção de formas de olhar a transição histórica. Urgente, portanto. (Alexandre Werneck)

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6. A Última Noite, de Spike Lee
A Última Noite é, sem dúvida, um dos exercícios de atmosfera mais marcantes do ano e um dos filmes mais afinados de Spike Lee. A forma com que a narrativa se desenha em torno da trama protagonizada por Edward Norton, e a paisagem prata-azulada da Manhatan pós-11 de Setembro, faz do filme um dos artefatos audiovisuais mais críticos e mais apaixonados que Nova Iorque recebeu na última década. Se Spike Lee fez seu nome se inscrevendo no universo dos bairros periféricos da grande maçã, A Última Noite é uma brilhante incursão do diretor nos clichês da alta classe média da ilha, pontuando na amizade entre um traficante de luxo, um yuppie bem sucedido e um professor universitário, o eixo de uma trama de angústia, agressão e desejos de fuga irrealizáveis. Os limites da rotina, da vida como ela é mapeada, se encontram na vigésima quinta hora do título original: uma espécie de dobra do tempo cotidiano, em que um abismo íntimo tira as bases da manutenção da ordem, da paz agressiva, da face orgulhosa da grande cidade. Os personagens aparecem como silhuetas, desenhadas e projetadas sobre a cidade, assim como os spots de luz (que cruzam o céu simbolizando as torres gêmeas derrubadas), num sentimento que é, a um só tempo, um beco sem saída e uma incógnita sem limites. Para além da melancolia, para além do niilismo, A Última Noite é um elogio abismado a uma cidade fissurada e à incerteza de sua encruzilhada. (Felipe Bragança)

leia aqui a crítica do filme

9. O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, de Jonathan Mostow
O terceiro filme da série era aguardado pelos fãs com ansiedade e preocupação. Uma vez que James Cameron abandonara o projeto, restava saber o que poderia se esperar da sua continuidade nas mãos de outro diretor. E Jonathan Mostow não apenas veio com um grande filme, mas ainda redefiniu rumos estéticos e conceituais da obra. A despeito de O Exterminador do Futuro 2 ter sido o filme que catapultou Hollywood definitivamente à era das tecnologias digitais, recolocando questões sobre ontologia da imagem e culminando na lógica cine-fluxo de Matrix e afins, ao fazer sua continuação Mostow optou por um formato que podemos identificar como o clássico renovado. As imagens de O Exterminador do Futuro 3 não buscam a anulação do próprio peso e sua integração a um processo de desmaterialização e flexibilização irrestrita. São imagens feitas ao gosto do antigo artesanato cinematográfico. Mostow somou elementos de seus filmes anteriores ao já conhecido enredo iniciado em 1984 por James Cameron e o resultado foi um filme surpreendente: misto de road-movie (cuja matriz está em Breakdown) e aventura claustrofóbica (como em U-571) com conteúdo político de pano de fundo e "alívio cômico" encomendado ao robô de Schwarzenegger (destaque para as cenas dos óculos em formato de estrela e das "noções básicas de psicologia humana" aplicadas pelo T101). Dentre as novidades, o formato fluido de T1000 agora cede lugar à voluptuosidade do belo corpo feminino de que a máquina vilã se reveste. Jonathan Mostow reinventou o aço e fez um filme que, destoando em relação ao cenário atual dos blockbusters (em que reinam a fluidez e a vacuidade), constitui-se de sólidos, com peso e gravidade, imagens-tijolos (pelo conteúdo que expressam e pela dinâmica que estabelecem na montagem). É o próprio cinema de ação sendo questionado (e não por acaso o casal-herói fracassa na missão de salvar o mundo de uma hecatombe). Fato curioso, a série que se iniciou duas décadas atrás rendeu um dos filmes mais contemporâneos de 2003, com forte teor de crítica ao belicismo da era Bush e enxergando seu destino com enorme ceticismo: os filhos da América de hoje terão de reconstrui-la no futuro a partir dos escombros deixados por seus pais. Por ora, resta o abrigo anti-nuclear. (Luiz Carlos Oliveira Jr.)

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10. Dolls, de Takeshi Kitano
Dolls é tão mais apaixonante porque seus pontos mais fracos estão logo à vista: falta de organicidade entre as três histórias, falta de caracterização digna desse nome em alguns protagonistas, retrato desesperadoramente fácil do triunfo do destino sobre o amor. Pronto. Dito (e visto) tudo isso, podemos amar Dolls imensamente: a beleza decorativa contrasta de forma absurda com uma montagem toralmente intelectual, a elegância do enquadramento entra em contradição estilística (apenas aparente, diga-se) com a pieguice da canção da starlet amada. Desde De Volta às Aulas e o magnífico Cenas de Praia sabíamos que Kitano sempre se interessou mais na condição trágica de seus personagens diante da morte do que no glamour da figura fora-da-lei dos yakuzas. Aqui o extravazamento é total: as imagens vívidas, as cores deslumbrantes e a composição primorosa parecem compor uma redoma de vidro da qual o triste destino de nossos heróis é proibido de sair, causando um dos efeitos de dissonância mais pungentes do cinema recente. Pode ser que a proa da inovação no cinema japonês tenha sido tomada por outros – notadamente Kiyoshi Kurosawa –, mas Kitano já acedeu à condição de mestre e Dolls é outra torre que o autor de Hana-Bi acresce a seu (já) suntuoso castelo. (Ruy Gardnier)

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10. Looney Tunes – De Volta à Ação, de Joe Dante
Numa união feita no paraíso (para aqueles que importa) ou no inferno (para todos os outros), Joe Dante filma esta mistura de homenagem e atualização dos Looney Tunes que é tão cáustica e politicamente incorreta quanto os melhores filmes do cineasta ou os melhores "cartoons" dos personagens. Não resta pedra sobre pedra neste filme em ritmo de metralhadora giratória que faz piada com tudo, seja o esquema de produção hollywoodiano atual (desde o merchandising aos filmes de "consciência social", nada fica de fora), seja com a história dos "cartoons" e do próprio cinema (onde a piada com Psicose deixa bem claro que isso é tudo, menos um filme "infantil"), chegando mesmo, pasmem!, à história da Arte (a seqüência no Louvre é uma das mais demenciais e brilhantes do cinema recente). No meio disso tudo, uma narrativa brilhantemente articulada, onde as dimensões surreais (como a interação cartoon-personagens humanos) nunca descolam o interesse da narrativa, uma ode aos "losers", não sem o enorme cinismo de uma cena final fantástica envolvendo Pernalonga e uma limusine. O fracasso de bilheteria mundial não foi à toa: Looney Tunes é um filme à frente do seu tempo – aliás, de qualquer tempo. (Eduardo Valente)

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10. Spider – Desafie Sua Mente, de David Cronenberg
David Cronnenberg é um cineasta que, assim como o Velho Guerreiro, veio para confundir e não para explicar, e nos confundindo também instiga a explorarmos um pouco mais sobre as facetas negras e obscuras da alma humana. Sem recorrer aos elementos bizarros praticamente onipresentes na sua obra, em Spider ele nos presenteia com um dos mais fascinantes mergulhos nos labirintos da mente. Partindo do – para dizer o mínimo – batido conceito do complexo de Édipo, a visão de Cronnenberg nunca nos impõe o óbvio, à medida que retrata a forma através da qual Dennis Clegg ao mesmo tempo tece e desata as teias de seu passado, fazendo com que o espectador vivencie e compartilhe radicalmente o tortuoso processo mental do personagem. Um jogo onde presente, memória e imaginação se fundem engenhosamente em um só momento, uma só experiência: o cinema. (Gilberto Silva Jr.)

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13 a 22. Como se sabe – ou não –, a lista dos melhores do ano da Contracampo é por menção. Caso fosse por ranking (o melhor leva 10, o segundo 9 e assim por diante), não haveria mudanças tão bruscas, mas O Filho, de Luc e Jean-Pierre Dardenne ficaria em 11º colocado, à frente de dois que estão na presente lista. A força do dispositivo caro aos irmãos Dardenne – câmera na mão, perto demais de seus personagens acompanhando-os em seus dilemas sócio-morais – garantiu ao filme cinco menções. Hulk, de Ang Lee, por um registro pessoal e pela crença numa verdadeira dramaturgia psicológica a partir de um "filme de aventuras de herói", também levou cinco menções. Quatro filmes tiveram quatro menções: O Dia do Perdão / Kippur, de Amos Gitai, em seu registro cru e seu jeito de crônica desromantizada do cotidiano de uma (qualquer) guerra; O Pianista, de Roman Polanski, por aliar precisão narrativa com um suntuoso retrato de fundo de um campo de concentração judeu na II Guerra; As Panteras: Detonando, de McG, emocionou parte da revista pela consolidação de um estilo próprio emergindo com vigor e graça do lugar onde se menos espera que nasça autores (cinema de entretenimento hollywoodiano "médio"); e Separações, de Domingos Oliveira, pelo relato íntimo das idas e vindas dos relacionamentos amorosos, filmados com a costumeira entrega e nonchalance do diretor. Com três menções, outros quatro filmes: Jacques Rivette com Quem Sabe? instigando a sedução do olhar em mais um de seus relatos em que os mcguffins recobrem a procura dos personagens pelo amor; O Homem Que Copiava, de Jorge Furtado, curto-circuita preocupação social com comédia romântica, utilizando-se de mestria narrativa e subversão moral; Arca Russa, de Aleksandr Sokurov, encantou por seu projeto de tirar o fôlego – um único plano-seqüência para todo o filme – e por seu questionamento da história russa; por fim, Tiros em Columbine, de Michael Moore, entre a manipulação e o questionamento, entre a estratégia Márcia-Goldschmidt-de-esquerda e a contestação "de dentro" da paranóia e do belicismo americanos, galgou seu caminho entre os filmes mais importantes do ano. Longe da unanimidade mas também longe da irrelevância. (Ruy Gardnier)