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1. Ensino: segundo-grau (se possível, nome completo e indicação se é colégio público ou privado) e curso universitário (faculdade e curso) Ginásio 2. Filmografia como diretor. 1989 Caramujo-Flor (21', 35 mm) 3. Filmografia atuando em outras funções. Obs: em todos as realizações sempre fui produtor ou co-produtor. 4. Com que estrutura de produção foram realizados seus curtas-metragens? Basicamente através de concursos públicos (Embrafilme, Fundação do Cinema Brasileiro, Itaúcultural e apoio de Governos dos respectivos estados onde o projeto foi realizado. Algum apoio privado como no caso do "Enigma" e "Caramujo". 5. Por que o curta-metragem como formato? Pela sua propriedade sintética, pela brevidade que tem tradição no conto, no haikai e pode condensar uma experiência intensa em pouco tempo, com muita essencialidade. O tempo de duração, a priori, não garante nada. Há desde longas que a gente não vê o tempo passar até curtas intermináveis. Depende do rítmo, composição e da articulação da montagem... O tempo curto, a brevidade, são apropriados para um cinema de voltagem poética. Cada filme dita seu tempo próprio, interno, subjetivo. Não há regras nesse sentido. Filmes de ensaio, experimentais, são quase como música de câmara, procuram "esconder o esforço" e exprimir muitas vezes o mínimo, com economia de meios... Trabalho atualmente na finalização de meu primeiro filme de longa duração e já preparo um ensaio curto, resultante de uma experiência que fiz na Bienal cujo material tem vestígios de videoarte.. O material apontou esse procedimento e exigiu um tempo condensado, independeu de mim, entende ? Acho equivocada essa hierarquização do curta como balão de ensaio, como se fosse a infância do realizador a caminho de sua maturidade longa-metragem...Também não me agrada o "culto à metragem", tampouco o tratamento "curtametragista" que me parece ofensivo, como se medisse o realizador pelo número de pés. Quer dizer que agora quando aumentar meu número de pés (através do longa) vou poder andar melhor ? O tempo na arte é pura ficha técnica. Ninguém diz que o Cão Andaluz do Bunuel é curta-metragem. Antes de tudo, é um filme, depois vem a classificação, etária, temporal, de gênero, etc... 6. Qual foi o tipo de financiamento dos filmes que você dirigiu? 7. Os incentivos municipais, estaduais e federais à produção de filmes de curta-metragem têm se revelado suficientes e/ou necessários para dar vazão à produção a fazer (à sua própria, à da sua região)? Se não, quais são as alterações ou novas propostas a adicionar às já existentes? 8. Por que você faz cinema? Para produzir sentidos, me consolar, exasperar o espírito, comunicar experiências, inventar realidades, me vingar do mundo, permanecer no tempo, para me salvar, enfim por absoluta necessidade de se expressar. O cinema pra mim é um instrumento de poesia, pela sua polifonia e múltiplas possibilidades de abarcar os sentidos, alargar a imaginação, revelar mundos sensíveis.... 9. Quais as suas influências? Fui levado a fazer cinema depois de sair da sessão de Limite em Curitiba. Um filme seminal, que revelou ser possível inventar um filme essencialmente poético. Amo também a arquitetura filmica de Antonioni, a arte de jogar com o tempo e sondar a memória em Resnais, a liturgia lírica de Tarkovsky e atualmente o cinema de sombras e fantasmas de Alexander Sokúrov. E ainda, a utopia político-poética de Glauber e não poderia esqueçer das obsessões oníricas de Felini... 10. Quais são seus projetos e/ou objetivos como realizador? É realizar um filme só toda vida. Um longo filme com várias partes, inúmeros contos-curtas, diversos pontos de vista onde eu possa transitar sereno pelos signos elegidos. Não pretendo fazer produtos, mas arrogo realizar alguns projetos de vida. Invenção de Limite, making of de ficção a partir da obra de Mario Peixto é um deles, por exemplo, que já consumiu até aqui longas pesquisas. Dormente, novo projeto de curta-duração, é minha mais recente obsessão. Se ocupa do estado entre a vigília e o sono que acomete os passageiros que esperam agonicamente na estação pela chegada do trem... 11. Como você vê a produção contemporânea de curta-metragem no Brasil? Em busca da identidade perdida. No final dos anos 80 e meados dos noventa o curta estava em moda, em plena efervescência, fazendo muito sucesso, mas desviando-se de sua diferenciada vocação, ou seja, servir de laboratório para experiências de várias naturezas, sejam formais, dramatúrgicas, documentais. Passamos por uma época badalada do curta besteirol, depois portfólio, talvez pela escassez do longa e migração dos profissionais de publicidade. A crise atual está redefinindo o papel do curta, que ao meu ver ou é experimental ou documental. Negativo é caro e é preciso consistência e rigor na hora de disparar a câmera. Ter algo a dizer, mostrar, revelar senão é melhor não fazê-lo. O mundo já está super poluído de imagens, é preciso pensar antes de enquadrar, compor, senão a gente satura mais ainda a realidade. A produção atualmente é de altos e baixos, mas prefiro assim do que a hegemonia de uma tendência que sirva apenas como rito de passagem para o longa. Já passamos pela fase da ditadura dos "longuinhas", reproduções em miniatura dos longas, como mero aceno para o mercado, desvirtuando todo espaço de experimentação inerente ao formato. 12. Como você vê o cinema brasileiro recente? Estamos a caminho da seleção natural da espécie. Uma produção plural, irregular, envolvendo desde franco-atiradores até autores sérios, iniciantes, deslumbrados com as novas tecnologias, enfim, reflexos de uma geração pós-panela de pressão que não chega a identificar uma linhagem resultante de qualquer movimento sistemático. Nos anos sessenta, pelo contexto sócio-político, é plenamente compreensível que se fizesse um cinema mais árido, sêco, prosáico, "comprometido". Agora não faz sentido reeditar tal direção. Estamos livres dessa "camisa de força", dessa missão. Podemos lançar mão de todas as potencialidades linguísticas do cinema. Como realizador de um cinema que procura a experiência, a criação poética, vejo o nosso cinema vinculado demasiadamente a um sentido de mercado, sem a existência concreta deste mercado...essa entidade imaginária, quase abstrata que acaba inibindo o surgimento de uma nova linguagem ou movimento a exemplo do cinema iraniano, por exemplo, que burlou seus tabus internos e através do "metacinema" fez da falta (financeira) um desafio criativo, gerando filmes e revelando autores para o mundo... Vivemos de fenômenos isolados, autores-exceção, que emplacam com um filme ou uma geração de filmes primorosos, bem acabados que respondem a uma imagem "do que se quer ver" do país no mercado internacional... Há por outro lado uma safra de filmes "baixo-orçamento" que vem revigorando a cena, possibilitando o surgimento de novos atores, autores e abordagens mais despojadas... Acho às vezes, nosso cinema contudente demais, sem espaço para o tempo cinematográfico (salvo exceções e a incidência maior atualmente de filmes líricos se encontra no vídeo). Estamos entre o filme que precisa provar alguma coisa para o público, o filme comercial culpado e um cinema "a fundo perdido" que subsiste apenas num circuito bastante fechado... Não existe uma política que incentive os chamados "filmes de ponta" que procuram arriscar, independente de corresponder a tendências ou exigências de mercado... Deveria haver fomentos a pesquisa de linguagem, justamente para renovar a estética de nosso cinema que em muitos casos insiste em "requentar cliclês" ou apostar na margem de segurança em busca desesperada de um mercado abstrato... São raros os casos, sobretudo no longa-metragem de filmes que tenham continuado a tradição lírica e inventiva de Limite de Mário Peixoto. Afinal vivemos num país de herança lírica, de uma luz exuberante de uma paisagem diversa e uma plasticidade inegável... E muitos dos filmes reiteram a máxima, "no princípio era o verbo".. Sinto às vezes que grande parte da produção está na "sombra do sobre", ancorado no peso do tema, do argumento original que comova por princípio (jornalístico) pelo fato de ser baseado em fatos reais.. É um tal de quem chega primeiro ao tema mais sensacional.. Aí vem a repercussão na mídia etc e, na hora da transfiguração, pouco importa, basta a fidelidade ao assunto.. Por isso os debates sempre descambam para política, sociologia, economia, menos estética. Talvez pelo entusiasmo da "retomada", por enquanto, a reflexão só paira no plano conteudístico dos filmes, raramente vemos uma análise formal-estilística.. Pode ser que seja cedo pra se exigir isso... A Contracampo tem um papel vital nessa reflexão, sem demasiada com-paixão... |
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