Editorial Suspiria de Dario Argento | |
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Mario Bava, Dario Argento, Lucio Fulci. A notoriedade dos nomes varia, vai desde o "muito bem falado" relativamente à produção dos anos 70 de Argento até o "só para adoradores de tripas", que é a reputação de que goza Fulci, passando pelo mito que envolve a carreira cinematográfica de Bava, muito mais comentada do que propriamente vista. Até aí, burros n'água. Por que fazer uma edição para falar sobre três cineastas italianos fora do panteão dos grandes diretores, como Antonioni, Rossellini ou Federico Fellini? Dois são os motivos principais: escondidos sob o nada fácil manto do gênero cinematográfico manto que rendeu inúmeras descobertas, sempre tardias, de grandes cineastas como Jacques Tourneur e Edgar Ulmer , estão três diretores que ocupam possivelmente a mesma grandeza dos maiores diretores italianos. O segundo motivo diz respeito à conjuntura do cinema, tanto o mundial quanto o italiano: a escola e a tradição do "fantástico italiano" está acabando. Com ela, termina a única geração de cineastas que, sob o pretexto de um realizarem um gênero cinematográfico "fantasioso", davam asas absurdamente às suas imaginações mais estapafúrdias e assombrosas, criando obras delirantes em que o prazer visual vai de par com o pavor do não-visto, do eterno contracampo em que se esconde o assassino. Quando esse cinema acaba, nada mais natural do que ver na mídia local que o termo "trash" seja atribuído a um cineasta como John Carpenter ou risos tresloucados saiam das bocas do público do Insônia de Dario Argento no último Festival do Rio. Quando o cinema deixa mais e mais de ser arte da narrativa (delirante ou não, "verdadeira" ou não) para se tornar arte da narração verossímil, boa parte daquilo que se constituiu como crença no cinema perde-se junto. E com isso perde-se a noção de cinefilia também, pois cinefilia implica acreditar que o cinema ajuda a ver a vida, potencializá-la e, por vezes, confrontá-la. Ver ou rever o cinema de Bava, Argento ou Fulci nos remete a um estágio infantil, talvez até primário, onde a imaginação pode agir sem os freios às vezes um tanto incômodos do raciocínio frio. Um estágio em que, como que deitados debaixo de um cobertor, pedimos aos pais para que nos contem uma história. Mais do que os pesadelos que vêm após o sono, o cinema fantástico é esse pequeno sopro de vitalidade e abertura aos delírios do possível antes do descanso pós-vigília. Sonhemos com e como eles. Acordados. Boa leitura. Ruy Gardnier
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