Editorial![]() Lavoura Arcaica de Luiz Fernando Carvalho: a comoção se justifica? Crítica e análise do acontecimento "lavourarcaica" dentro e fora das telas |
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Depois dos festivais, nada como nos concentrarmos com outra parte integrante da cinefilia, justamente uma que nos é mais e mais recusada ou colocada em posição de pouco destaque nos grandes acontecimentos onde o cinema fica mais em voga: o trabalho de garimpagem e recuperação de filmes pouco ou mal avaliados nas épocas de seus lançamentos, ou filmes que simplesmente foram relegados a um papel menor na história do cinema, um papel que não condiz com sua posição atual. Assim, "Filmes a descobrir, filmes a recuperar" não é tanto uma novidade quanto uma necessidade constante de reavaliação de nossa memória e de recolocar determinados filmes em pauta ali onde eles não parecem mais importar. E com o olhar no passado, aproveitemos também para deitar um olhar mais atento ao passado que nos é dado ver nas retrospectivas dos festivais. Zurlini, Kusturica, Troma: o que esses nomes querem nos dizer? Aliás, o que a idéia de festival tem a nos dizer? Evento propagandístico e mercadológico apenas ou com algum dever cívico, pedagógico? Na dúvida, na imbricação, as perguntas e respostas se fazem obrigatórias. Mas o diagnóstico do presente também se faz importante. Dessa forma, na falta de grandes lançamentos nesse fim de ano, sentimos a necessidade de repensar certos dos filmes mais comentados do último semestre. Claro, o primeiro que vem à mente é Lavoura Arcaica, espécie de acontecimento "marco zero" no cinema nacional. De onde vem nossa teimosia em querer eternamente fazer o cinema brasileiro começar novamente do zero? Vergonha do passado? A continuar... nos textos da edição. Também Planeta dos Macacos, Amnésia, AI, Moulin Rouge: os filmes que fizeram sensação na mídia e nas discussões recebem outros comentários. Assim como a Casa dos Artistas, certamente o maior acontecimento televisual do ano em termos de mudança na programação e na relação com o espectador. Misto entre a busca de autenticidade e a ânsia cada vez maior de espetacularização para atingir mais público, essa Casa é o lar privilegiado dos dilemas em que vive a televisão brasileira. Na constante desconfiança que os participantes do show têm com seus parceiros e na própria relação espectador-personagem, aqueles que assistem ao programa podem exercer seu próprio papel de crítico, e por vezes até de diretor. A conferir. Ruy Gardnier |
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