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Falando
com Vênus,
de Rudolf Thome
Venus talking, Alemanha,
2001
Trata-se de uma tradição
anual: assistir o novo filme de Rudolf Thome na Mostra de SP. Com este
são seis os filmes apresentados, sendo que este aqui é o
quarto em 4 anos. E quem conhece os filmes de Thome não terá
nenhuma surpresa com o universo apresentado: o assunto principal do diretor
alemão continuam sendo as relações afetivas, especialmente
entre homens e mulheres, com um forte destaque à sua porção
sexual (embora sem cenas especialmente explícitas). Thome se entregou
mesmo no seu filme anterior, apresentado em 2000, Paraíso,
um verdadeiro cinema hedonista onde tudo se resume aos amores e relações
sexuais (ah, sim, e os filhos e a natureza). Este filme é inclusive
citado "sutilmente" por um dos personagens desse novo filme, ao narrar
uma história que descreve perfeitamente a sinopse do anterior.
Neste Falando com
Vênus Thome incorpora alguns elementos mais "modernos", em especial
a internet, webcams, e consequentemente acaba entrando no mundo
dos adolescentes e também da música techno, claramente com
alguma relutância (ele continua muito mais à vontade filmando
seus trintões e quarentões).A ciranda de relações
que ele constrói acaba tornando-se um pouco repetitiva, é
inegável. Mas o que não se pode negar é a extrema
honestidade com que ele se entrega a estes "pequenos temas". E, inesperadamente,
no seu plano final ele conclui com um certo desconforto que mostra que
nem sempre tudo está bem quando termina bem. Num filme marcado
acima de tudo pela leveza (mesmo nos seus momentos mais fortes), não
deixa de ser uma nota dissonante e interessante.
Eduardo Valente
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