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Pão
e Leite,
de Jan Cvitkovic
Kruh in mleko, Eslovênia,
2001
O mais assustador
neste Pão e Leite está longe de ser o filme em si.
Mas o prêmio de melhor diretor estreante em Veneza 2001. Pois trata-se
de um filme que possui sim uma assinatura, um olhar, mas é extremamente
mal dirigido. Resta ver quantos filmes concorriam, em primeiro lugar,
mas também é importante ver que os critérios estão
mais frouxos a cada dia.
O início até
empolga: voltando aos filmes iniciais de um Jim Jarmusch (pensamos aqui
em Estranhos no Paraíso principalmente), o filme opta pelo
retrato quase imóvel do cotidiano de uma família: o pai,
recentemente saído de uma clínica para alcoólatras;
a mãe e o filho adolescente. São planos longos, onde os
diálogos parecem tão somente reforçar a poesia do
banal, as pequenas coisas da vida. São ótimos 25 minutos
de filme. Só que, de repente, o personagem cai de volta num bar
e por um golpe de roteiro dos mais baratos, começa a beber. A partir
daí o filme torna-se uma descida ao inferno, tanto deste personagem
quanto do seu filho (que usa drogas mais pesadas), e por conseqüência,
da esposa deles. O filme mantém a mesma postura, mas o banal torna-se
o retrato patético do efeito desregrador das drogas e bebidas na
vida das pessoas. Sem qualquer possibilidade de redenção,
fica claro dali por diante que a tragédia se aproxima, o que é
fato.
Aí, então,
o filme dá o golpe final: após uma insinuação
de créditos, ele volta com uma sequência final que só
pode ser descrita como abominável, finalizando com uma das mais
absurdas gruas do cinema recente. Se este é o estreante promissor
de Veneza 2001, incluam-me fora desta!
Eduardo Valente
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