Metrópolis,
de Rintaro


Metropolis, Japão, 2001

Mais uma tentativa japonesa de mostrar o futuro urbano através do desenho animado, Metrópolis traz muito pouco de novo a um gênero cujo representante mais conhecido (Akira) tem seu diretor como roteirista deste aqui. Trata-se na verdade de uma salada de tudo aquilo que vimos no Metropolis de Fritz Lang, com Blade Runner, um toque até na linha do recente A.I., em suma, toda aquela mistura de uma sociedade hipertecnológica e verticalizada (algo cada vez mais improvável), com a discussão sobre a humanidade dos robôs, e com heróis e vilões de pouquíssimos meios tons. Há, é verdade, alguns toques interessantes, como a trilha sonora eminentemente "jazzística".

Mas, se há algo de realmente novo, escapa inclusive ao próprio filme: sob a luz dos acontecimentos mundiais mais recentes torna-se impressionante o final com o poder simbolizado pela construção de uma torre, e sua derrocada numa impressionante sequência de demolição da mesma. Há ainda algumas semelhanças entre as ações dos robôs e os terroristas, de forma que fica um tom entre o premonitório e o inevitável que nem o próprio diretor poderia jamais imaginar. É das ruínas da torre que se constrói o amanhã, só não fica muito claro como ele será. Assim como no nosso caso.

Eduardo Valente