Lubov e Outros Pesadelos,
de Andrei Nekrasov


Lyubov i drugiye koshmary, Rússia, 2001

Segundo e caótico filme do russo Nekrasov, de quem já havíamos visto o mediano "O Amor é tão Forte Quanto a Morte" na 21ª Mostra. O apuro da fotografia continua, mas o filme abraça várias idéias e, na confusão de suas pretensões, se afunda.

Um cineasta exilado volta a São Petersburgo para fazer um filme. À maneira de Khouri em Eros, só que sem um décimo do talento do brasileiro, o que vemos é o que o protagonista vê. Ele nunca, ou quase nunca, é visto. As mulheres, bonitas ou nem tanto, são muitas. Há também a presença grotesca de uma idosa balançando os seios para a câmera (por que será que os cineastas europeus abusam tanto de cenas de nudez com o único intuito de zombar com o espectador, ao invés de deixá-lo com tesão?).

O filme prossegue e vemos imagens de São Petersburgo nos reflexos em poças de água ou em vidraças de apartamentos. Imagens carregadas de nostalgia, a mãe Rússia mudou, rendeu-se desesperadamente ao americanismo, mais que ao capitalismo, segundo Nekrasov. O começo já entrega, nos rabiscos tornando os créditos ocidentalizados no alfabeto russo. O diretor pretende criticar essa presença maciça da língua inglesa.

Com imagens captadas em video digital, super 8, e película, Lubov e Outros Pesadelos acaba causando tédio pela ausência de critérios na duração e colocação de cada cena. Tudo é jogado gratuitamente, tentando fazer estilo, como um Oliver Stone russo, indigno da tradição de seu cinema. Até a guerra em Kosovo é invocada, quando seria melhor investir no erotismo que só às vezes se insinua, ou tombar de vez para o abrangente e caótico painel histórico, como aquele brilhantemente engendrado por Kusturica, em Underground.

Sérgio Alpendre