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Lan
Yu,
de Stanley Kwan
Lan Yu, China/Hong Kong,
2000
A
se julgar pelos dois filmes de Stanley Kwan exibidos no Brasil, poderia-se
julgar que trata-se certamente de um diretor menor. Compreende-se pouco
de tanta veneração por dois de seus filmes, Actress e
Rouge, quando se vê Contos da llha, uma bobagem exibida
no Festival do Rio 2000, ou Lan Yu, um filme interessante, mas
que jamais poderia fazer crer que esse diretor já foi capaz de
vôos maiores. Adaptação de um folhetim famoso sobre
homossexualismo com ampla divulgação na internet
algumas regras de conduta ainda são impossíveis para a China
de hoje , Lan Yu tem a ingrata missão de se ver às
voltas de um tema já brilhantemente realizado por Wong Kar-wai
em Happy Together: os encontros e desencontros de um relacionamento
masculino.
Toda
a graça e interesse de Lan Yu residem na passagem do tempo.
O mais curioso do filme são as grandes passagens temporais sem
que o filme as trabalhe do ponto de vista de linguagem. Todos os cortes
do filme apresentam a mesma duração, seja passada uma noite,
uma semana ou quatro meses. O que importa no filme não é
a passagem do tempo, mas o foco nos encontros dos dois apaixonados, que
ultrapassa as durações, as convenções e as
classes sociais. Lan Yu é um jovem que aceita ser garoto de programas
de um rico empresário. Ele é pobre, vem do interior e, para
continuar fazendo seu curso de arquitetura, trabalha de peão em
construções. Seu parceiro, Chen Handong, lidera uma grande
empresa e pode fazer loucuras como comprar uma casa para seu namorado
de poucos meses.
Lan
Yu toca num dos problemas sensíveis da China contemporânea,
o da liberdade sexual. Sob esse aspecto, o filme apresenta seu lado mais
belo. As cenas de amor homossexual são filmadas com ternura, sem
choque (como em O Outro Lado da Cidade Proibida), mas sempre bastante
fortes, como geralmente se filma cenas de sexo entre homem e mulher. Só
que o filme não se sustenta apenas com isso: Handong se deixa apaixonar
por uma intérprete de russo, casa-se mas não consegue manter
sua relação. A volta para Lan Yu e todas as dificuldades
na vida pessoal dos dois falta de emprego, auditoria na empresa
acabam tirando do filme a força que ele tinha e, sua primeira
meia hora. Filmado com um esteticismo por vezes irritante mas de
um realismo ortodoxo se comparado ao anterior, Contos da Ilha
e em outros momentos com uma entrega sincera e bonita aos personagens,
Lan Yu é de deixar muito apreensivo quanto à atual
fase de Stanley Kwan.
Ruy
Gardnier
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