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Os
Irmãos Waikiki,
de Im Soonrye
Waikiki Brothers, Coréia,
2001
Um grupo de amigos
de escola forma uma banda e, já quando adultos, acompanham a inevitável
dissolução dela, com a saída progressiva de todos
os seus membros. O grande problema de Os Irmãos Waikiki é
ter surgido ao mesmo tempo que o grande Plataforma. Nem tanto porque
seria um belo filme, mas porque a inevitável comparação
mostra qual é a diferença de escopo entre um filme e outro.
Enquanto o filme de Jia Zhang-ke trabalha todas as dimensões do
tempo individual, coletivo, de grupo , o filme de Im Soonrye
fica restrito à vida conjunta dos amigos e ao passado deles, filmado
em flashbacks.
Não que o filme
seja ruim. Os Irmãos Waikiki alterna belos momentos líricos
com outros tantos um pouco desnecessários, senão fracos.
Os momentos da adolescencia dos integrantes e da formação
do grupo, filmados sob o ponto de vista do líder do grupo, Sungwoo,
dão alguns dos momentos mais interessantes do filme. Vemos um concurso
escolar, vemos um grupo de meninas que ganha deles o concurso e
cuja vocalista será a eterna paixão de Sungwoo e
os primeiros ensaios, cheios de euforia. Um doloroso contraponto com o
presente dos Irmãos Waikiki: tocando de cidade em cidade em boates
de segunda, concorrendo com a profusão dos caraokês, tendo
que mudar repertório em função do lugar em que tocam
e dos instrumentistas que têm.
A visita à
cidade natal de Sungwoo é o estopim para tudo. Enquanto os outros
membros de sua banda brigam entre si e deixam um a um o sonho de juventude,
o vocalista e líder da banda reencontra com sua paixão adolescente,
que trabalha numa quitanda local. Depois de cenas pungentes a principal
é quando Sungwoo faz música ao vivo como acompanhamento
de uma suruba entre empresários poderosos e garotas de programa
, decorre o inevitável happy-end, com a reconstrução
de uma nova banda, pegando as pecinhas que restaram. Mesmo filmado com
elegância e algum verdadeiro talento (a cena final, por exemplo,
é muito bonita), Os Irmãos Waikiki é um filme
como o próprio grupo que lhe dá o título: irregular,
com momentos de força e entusiasmo, mas infelizmente despido de
coesão.
Ruy Gardnier
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