Guerra ao Vivo,
de Darko Bajic


Rat uzivo, Iugoslávia, 2000

Os pontos de interesse de Guerra ao Vivo precedem o próprio ato de assistir ao filme. Na simples descrição do que ele seja, já se pode entender: trata-se de um filme realizado em plena Belgrado em meio aos ataques aéreos americanos, que basicamente toma o lado dos sérvios, ou dos iugoslavos, digamos assim. Ou seja: trata-se de uma curiosidade histórica, e além disso uma raridade ética (no que se refere ao posicionamento político).

Só que, como também, não poderia deixar de se esperar até mesmo antes de se ver o filme, os defeitos que um filme realizado desta forma poderia ter estão todos lá. Trata-se de um filme urgente, cheio de energia, mas também trata-se de um filme mal planejado, mal encenado, feito claramente às pressas e sem roteiro definido, com personagens que são apenas desculpas para se discutir as relações entre Estado e arte, entre mídia e realidade. Assim sendo, ao optar pelo caminho da ficção como espelho duplo da realidade (digo duplo porque a história que os personagens encenam é quase uma reprodução do que o que a equipe do filme viveu), foi feita esta escolha de centrar o filme no drama dos personagens, então não se pode dar uma "relevada" nas circunstâncias e não notar os equívocos que esta escolha (ao invés de uma aproximação mais documental mesmo) acaba gerando pelo tratamento preguiçoso da dramaturgia.

Ainda assim, é impossível não sorrir por um filme que traz frases tão diretas quanto "os americanos são os maiores criminosos da História", ainda mais sendo exibido nas circunstâncias mundiais atuais. Trata-se de um filme que tem toda a sacada de marketing de saber que a história de sua realização é tão vendável quanto o filme em si, mas que não deixa de ser corajoso ao tomar partido de um lado que pouco teve chance de dizer ou mostrar as suas imagens. Portanto, o filme é tudo aquilo que se espera dele antes mesmo de assisti-lo: um importante retrato histórico, uma obra cinematográfica altamente imperfeita e muitas vezes fraca.

Eduardo Valente