![]() Editorial ![]() Éloge de l'Amour de Jean-Luc Godard, presente ao Festival do Rio BR 2001 |
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Setembro é o momento em que tudo muda em Contracampo. A edição passa a ser atualizada diariamente, os redatores deixam todos os assuntos cotidianos para se dirigirem às salas de cinema e nela passarem ao menos 1/3 de seus dias. Única chance de se atualizar com a produção mundial, uma vez que não são nem de longe os melhores e/ou mais importantes filmes aqueles que serão comprados e exibidos comercialmente, é a própria visão do cinema que muda. Novos temas surgem, antigos temas passam a ser encarados de outra forma... De qualquer forma, o ano passado nos deu novas questões: o cinema digital, a natureza do cinema político, a função de um festival de cinema... Os festivais desse ano provavelmente nos dão outras: o estatuto do "cinema artístico" nos dias de hoje, o redirecionamento do cinema a partir de um possível novo estado de animosidade mundial, além de outros inescrutáveis a priori... A dupla edição clique AQUI para consultar os artigos e AQUI para ler a cobertura do Festival desses dois meses será, como no ano passado (e, a se supor que tudo continuará da mesma forma, nos anos vindouros), um work-in-progress. O que se apresenta no começo do mês é apenas a preparação para a maratona, além, como sempre, da cobertura das mostras no último mês. Assim, uma necessária e estimulante Retrospectiva Fassbinder, acontecida no Rio e em São Paulo, recebe dois textos que tentam compreender algo do atribulado diretor que realizou 41 filmes num espaço de pouco mais de quinze anos. Da mesma forma, o Festival Internacional de Curtas de São Paulo, onde, na impossibilidade de fazermos as contas da produção nacional recente (nosso escriba estava com um filme concorrendo), discorremos sobre a produção internacional... e esperamos até a Curta Cinema, no final do ano, quando poderemos (re)ver os novos curtas brasileiros. Por fim, Contracampo se volta novamente à atualidade do mundo e reabre as portas ao jogo televisivo e ao universo sociopolítico de signos que ela representa. Ponto de partida para uma nova e sistemática linha de análise de signos audio-visuais, dessa vez ancorada no imaginário não da tela escura, mas da telinha amiga-imaginária da televisão.... a seguir... Conclui nossa edição uma especulação acerca do poder das imagens de síntese e da possibilidade de um cinema sem atores. Boa leitura. Ruy Gardnier |