De Encontro ao Vento,
de Peter del Monte


Controvento, Itália, 2001

O que dizer de um filme cujo maior atrativo é observar como a atriz que interpreta a protagonista Clara (Margherita Buy) tenta o tempo todo emular a atuação e o olhar vago, perdido de Catherine Deneuve? Entre o blasé e o elegante, ela e o filme evoluem sem muito sentido, sem muita graça e tentando dar a impressão de que existe algo de muito profundo povoando a relação dos personagens uns com os outros. Bem, não há. Clara é uma psicóloga que trabalha numa instituição mental e passa seu dia inteiro tentando resolver os problemas dos outros e esquecendo os seus próprios. Sua vida é pautada por uma dieta regrada de sentimentos, sob risco de ser insossa. A rotina de Clara se vê quebrada quando ela acaba se envolvendo com duas pessoas: Leonardo, uma espécie de homem arquetípico – um pouco brutalizado, mas com um carinho primordial – e sua irmã vinda de longe, interpretada por Valeria Golino. Claro, os dois novos personagens já tiveram um passado juntos que ainda pode acrescentar mais tempero à trama psicológica de Controvento. "Controvento", aliás, é como a irmã de Clara chama Leonardo, sabe-se lá por quê.

Controvento em momento algum faz seus eprsonagens saírem da camisa de força psicológica em que se constrói o filme. Jamais uma chance para entendê-los, jamais uma tentativa de captá-los evoluindo em seu meio. Antes uma vã tentativa de criar clima que se revela insuficiente para dar algum interesse à mais que estereotipada história da reconstrução existencial de uma pessoa em crise.

Ruy Gardnier