Vício e Beleza,
de Lin Cheng-sheng


Ai ni ai wo, Taiwan/China/França, 2000

Existe em Vício e Beleza uma motivação quase juvenil, uma energia adolescente mesmo, que é muito adequada ao retrato de seu casal de protagonistas. Tanto assim que todas as melhores cenas do filme (como a inicial ou aquela em que ela canta) são as que têm os dois contracenando. São dois bons jovens atores que emprestam aos olhos e às atitudes de seus personagens uma mistura da ousadia de quem quer ir em frente com o receio de quem ainda não sabem bem o caminho. São momentos que fazem o filme parecer quase delicioso, como a cena da discoteca. Infelizmente, ele se aproveita muito pouco, ao longo da sua duração, do que tem de melhor.

Optando por um retrato mais abrangente, que tenta passar por uma certa idéia de juventude em Taiwan mas especialmente pelo retrato urbano da mesma, o filme derrapa quando se perde em outras tramas, onde cai no clichê e no já visto, e deixa esmorecer a sua energia numa duração excessiva e dispersa. A injeção de violência neste ambiente nunca parece a mais correta. Claro que violência e energia juvenil estão sempre ligadas, mas o diretor não consegue fazer esta ponte de uma forma razoável. É inegável que mesmo assim possui algumas imagens belíssimas, especialmente por uma fotografia que valoriza cada raio de luz em cena. Mas, o que o espectador sente falta é da emotividade sincera e a vontade juvenil que os planos iniciais podiam insinuar que marcariam o filme. É uma pena, mas o fato é que encerrada a sessão ficam na lembrança mais as decepções do que os feitos de Lin Cheng-sheng.

Eduardo Valente