Atanarjuat - o Corredor Mais Veloz,
de Zacharias Kunuk


Atanarjuat, Canadá, 2001

A estranheza inicial é grande: afinal onde quer o diretor chegar com este retrato em vídeo quase documental dos costumes e do dia a dia de uma comunidade esquimó? É um início instigante porque cheio de pulos temporais, trocas de personagens, abandono de situações pela metade. Promete uma narrativa entre o lendário e o místico, passando pelo tal realismo extremo.

Infelizmente, logo depois a narrativa estabelece qual será o seu "presente" de fato, e o filme fica bem menos interessante. Principalmente porque ao invés de misterioso, torna-se uma óbvia história de vingança, com personagens e atores muito pouco interessantes. E, baseado no seu único ponto de interesse (o ambiente inóspito e os costumes pouco comuns), comete o erro crasso de se estender pelo menos um terço a mais do que devia na sua duração. O resultado final é um filme extremamente frágil, que vende o seu exotismo como principal atrativo, mas que é de fato um filme clássico hollywoodiano (ou como possam querer alguns, shakespereano) com nada mais a acrescentar a tudo que já se fez seguindo esta cartilha.

Eduardo Valente